foradocasulo

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Vamos Falar de Amamentação

Nossa, dois anos se passaram e não tive coragem de escrever sobre amamentação. Antes do meu relato sobre esse tema, voltarei um pouco no tempo. Antes de engravidar ouvia várias histórias de mulheres que sofreram para amamentar com endurecimento por excesso de leite, machucados por pele sensível, bico invertido e tal, mas nunca havia ouvido problemas de falta de leite. Mesmo assim eu nunca me preocupei e sempre achei que comigo daria tudo certo. Afinal, apesar dos peitos pequenos e bico discreto, eu sempre tive o perfil de boa parideira (quadris largos) e jamais passaria pela minha cabeça não ter leite, já que nunca fiz o tipo magrela desnutrida.

Minha irmã, tipo magrela e com o peito pouca coisa maior que o meu amamentou meu sobrinho super de boa, sem grandes problemas até os 7 meses. Ela só parou porque dos 15kg que engordou na gravidez, já tinha perdido 20kg e estava passando mal de fraqueza. Porque que comigo seria diferente? Na minha cabeça, bastava eu querer amamentar que daria tudo certo. Também nunca havia passado pela minha cabeça que uma cesariana pudesse atrapalhar a amamentação e que o parto normal facilitaria tal prática.
Eis que minha gravidez correu super bem e no final meus peitos já estavam um pouco maiores, além disso via no soutiã uma sujeirinha tipo leite em pó. O obstetra me alertou para não ficar apertando o peito pois isso poderia incentivar contrações e parto prematuro. Não fiz nada para deixar o peito mais resistente, já que segundo o mesmo obstetra, se eu fizesse algo drástico, tipo passar a bucha, poderia machucar e se o BB viesse antes da hora aí que não conseguiria amamentar mesmo! Me disse que havia no mercado várias pomadas de boa qualidade que evitam machucados e isso foi confirmado por minha irmã que usou uma destas pomadas e não teve problema algum. Tudo tranquiloaté meu pós parto.

Enzo nasceu de manhã, de cesaria marcada, porém segundo o obstetra teria nascido de parto normal no mesmo dia ou nos dias seguintes, já que eu estava com dilatação e algumas contrações em estágio inicial. Isto é, não podemos dizer que ele nasceu muito antes da hora, certo?! Logo na sala de recuperação Enzo ficou em meus braços e não saiu mais. Ele ainda não sabia que havia nascido, estava dormindo tranquilão e a enfermeira me pediu para eu tentar amamentá-lo. Mas quem disse que ele se deu ao trabalho de mamar? Eu o colocava perto do peito, tentava abrir a boquinha dele mas ele nem aí…só queria dormir. Desencanei, até pq estava também preocupada coma tal da dor de cabeça pós anestesia, então não queria me mexer muito não.

Aguardei até que Enzo notasse que estava nesse mundão de Deus e não mais na minha barriga e pedisse por comida leitinho. E essa hora chegou, porém, apesar de sugar bem o dedo, ao colocar no peito ele dava a primeira sugada e parava. Segundo a fonoaudióloga que foi me ajudar, o meu bico era muito pequeno e não o estimulava a sugar. Ficamos na tentativa com enfermeiras, fonoaudióloga e até a madrinha do pequeno, que também é fono, em cima de mim, tentando fazê-lo mamar. Meu peito virou domínio publico, todo mundo botava a mão. Nos foi recomendado pelo hospital que bloqueássemos as visitas, para que eu e o Enzo ficássemos mais tranquilos e focados na amamentação.

Depois de 24hs fizeram um teste de glicemia no meu filhote e detectou-se a necessidade de dar o LA. Foram 30ml na colherinha dada pela enfermeira e eu lá, chorando que nem uma louca. Me sentindo rejeitada pelo meu filho, culpada por ter um bico pequeno, por não ter feito nada para preparar meu peito para essa fase…enfim, foi mega estressante. Enzo nasceu numa terça-feira e na quinta não tivemos alto como esperado por conta da amamentação. Eis que o pediatra neonatal que acompanhou o parto e esses primeiros dias deu a dica de um bico de silicone, não era o ideal, mas talvez uma alternativa. Funcionou e na quinta, 17hs, Enzo mamou pela primeira vez. Quanta emoção, alívio e felicidade.

Na sexta tivemos alta e fomos para o apartamento do meu sogro, já que em casa temos escadas e na casa dele teríamos mais assistência também. Minha sogra faleceu quando eu estava de 4 meses, minha mãe faleceu no meu parto e minha cunhada não tem filhos, apenas a boa vontade em ajudar. Portanto, a única assistência que tive foi com relação a coisas da casa (casa, comida e roupa lavada) e se precisasse de um remédio, uma fralda, essas coisas, meu sogro iria comprar. Então, eu, mãe de primeira viagem sem qualquer experiência prévia com RNs, totalmente fragilizada pelas alterações hormonais do pós parto, fiquei perdida quanto a melhor maneira de tratar a amamentação do Enzo.

Ao sair do hospital tive a presença integral do Maridão apenas no final de semana, pois logo na segunda ele teve que voltar ao trabalho devido a época do ano, época de Orçamento/Budget e é o período em que ele mais trabalha. Não sabia da existência de Doulas, pois se soubesse teria ido atrás de uma com certeza! Para quem não sabe, Doulas são mulheres experientes e treinadas que ajudam as grávidas antes, durante e depois do parto. Tiram dúvidas, fazem massagens e ajudam no hospital, além disso dão o suporte em casa também, no período inicial. Seria uma benção ter uma destas perto de mim naquele momento!

Em casa Enzo até pegava o peito com o bico de silicone, mas estava perdendo peso e só chorava. Quando estava no peito dormia e quando eu tirava só chorava. A princípio achamos que era manha, que eu tinha acostumado mal em ficar só no colo e tal. Chegamos até a deixá-lo chorando por quase uma hora enquanto eu fui tomar banho (1 dia só tá?!). Eu não conseguia notar se enquanto estava no meu peito se mamava de verdade ou se estava só chupetando. Na Dra. Pediatra ela tentava me mostrar quando ele estava engolindo e quando estava só chupetando e eu, no meu nervosismo não conseguia identificar sozinha em casa.

Tentei uma vez tirar meu leite na bombinha elétrica e notei que o volume era muito baixo, cerca de 50ml tirando os 2 peitos. Então a Dra. Pediatra me receitou um comprimidinho e um spray de Ocitocina para inalar antes de cada mamada. Mesmo assim ele não engordava. Neste primeiro mês fizemos visitas semanais à pediatra para acompanhamento. No começo fiz tudo certinho e meu peito começou a inchar demais (era o leite descendo, eu acho!) mas eu, assustada diminui a dose do comprimido, com medo de endurecer, rachar meu peito e ter aqueles velhos problemas conhecidosde quem tem muito leite ou mesmo na dúvida se aquele remédio todo não faria mal ao pequeno. Então, o LA foi necessário para que meu filho não adoecesse.

Conclusão, fiz tudo errado e o LA foi passando de 1 mamadeira ao dia no primeiro mês para 2, 3…até que aos final do 4º mês já não tinha mais leite e Enzo ficou no LA definitivamente. Não gosto de tocar no tema exatamente porque sinto que a culpa foi minha. Se eu não tivesse ficado com medo, se tivesse seguido a risca o que a Dra. Pediatra recomendou, talvez tivesse tido leite suficiente para alimentá-lo e engordá-lo. Tudo isso graças a minha ignorância no tema e por não ter ninguém experiente para me orientar em casa, fora do consultório. Se eutivesse uma Doula, se tivesse me informado mais sobre amamamentação, tudo teria sido diferente. Ou talvez não…..nunca vou saber ao certo!

Ainda não me perdoo, mas o tema está ficando mais ameno e por isso tive coragem de escrever hoje sobre isso. Fora o fato de ver que várias mamães passaram pelo que passei, que não sou/fui a única. Graças a Deus Enzo é mega saudável, até a Dra. Pediatra elogia. Recentemente teve sua primeira virose, já relatada aqui e mesmo assim reagiu rápido. Se eu percebesse que ele era do tipo que fica doente a toa, me sentiria ainda mais culpada. Mas de uma coisa estou certa, não dá para voltar atrás, não fiz por mal ou por estética ou qualquer outro motivo fútil, foi por pura ignorância. Sei também que dá para corrigir os erros na próxima experiência, caso ela venha. E dá para compartilhar com vocês, para que saibam e não caiam no mesmo erro.

Minha dica é: Informe-se!!!!!!!!!!

Essa é minha história com a amamentação!

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