foradocasulo

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Sobre Profissão e Maternidade

Ano passado li um texto da Mari, do Viciado em Colo, em que ela retrata muito bem (como sempre) a situação da mãe moderna. Ela dizia estar no limbo profissional e confesso que me vi muito em tudo que ela escreveu. É que sempre gostei muito de trabalhar e sempre me envolvi bastante seja como professora de inglês, seja como estagiária de exportação e, principalmente, agora em operações. Quando resolvemos ter o Enzo, uma de minhas grandes preocupações era como lidar com a maternidade de forma consciente, sem perder tudo que havia conquistado na vida profissional. Temi perder meu emprego, mesmo sabendo que poderia me recolocar, temi não dar conta das duas tarefas. Assim que recebi o resultado do exame, demorei praticamente 3 meses para contar na empresa. Segurei a onda por não saber se a gravidez vingaria e, também, confesso, por medo da reação do meu chefe.

E, depois de contar, trabalhava quase todos os dias até as 9 da noite, evitava faltar ou dar qualquer motivo para dizerem que porque engravidei eu havia relaxado. Realmente trabalhei que nem uma camela. Eu me preocupava tanto que acertei com meu gestor que ficaria fora 4 meses e 20 dias e levei notebook da empresa para casa para qualquer emergência. Trabalhei até o último dia e me orgulhava de nunca ter precisado apresentar um atestado para afastamento. Mas, depois que Enzito nasceu, tudo mudou. A minha vida profissional deixou de ser tão importante e cheguei a desejar ser demitida quando voltasse da licença, só para não ter que deixá-lo na escola. Claro que eu não teria a menor coragem de pedir dispensa para ficar em casa, mas desejava isso, ao mesmo tempo que desejava voltar a ser, além de mãe, uma mulher que tem outras preocupações.

Na volta percebi grandes mudanças na profissional Adriana, aprendi a delegar mais (já que minha equipe tinha passado quase 5 meses sem mim e sobreviveram), aprendi a priorizar e deixar o que pode ser deixado para o dia seguinte, passei a sair no horário, a ter coragem de chegar atrasada a uma reunião com a diretoria porque o filho tinha pediatra, a sair mais cedo para buscá-lo na escola quando Maridão não podia fazê-lo…a lista é extensa. Mas não é porque passei a me dedicar menos horas que a produtividade tenha caído, não, aprendi sobretuto a ser mais eficiente e planejar melhor meu tempo e atividades. Porém uma coisa não posso negar, ficou mais difícil me dedicar a atividades “extra job description”, que são o que garantem mais notoriedade e promoções.

O plano de “dominar o mundo” ficou adormecido e passei a enxergar meus colegas que chegaram onde eu queria com outros olhos. Vi que eles não tem equilíbrio entre vida pessoal e profissional, quase todos trabalham mais de 12 horas diárias, e quando não estão na empresa, estão conectados e disponíveis 24hs. Viajam de 2 a 3 semanas no mês e não conseguem fazer um almoço durar mais que 20 minutos, isso quando não comem em suas salas para poupar tempo. Essa é a vida que eu quero? Em nome do que, de uma posição hierárquica melhor, de melhor salário que depois não terei tempo para gastar/curtir? Acho que não! Hoje prefiro uma posição que exija menos, mas que me possibilite viver, estar em família e ter liberdade.

Mas não é porque eu não quero mais “dominar o mundo” que eu também estou relaxando e querendo vender água de coco na praia (até que não seria má idéia), trabalho de 9 a 11hs por dia, 5 vezes na semana, quando não estou no escritório, estou acessível no celular que também tem os emails da empresa conectado. Mas não sou escrava dessa tecnologia não, só uso se alguém me ligar, não fico olhando a cada minuto se tem email novo, como alguns que conheço. Continuo me empolgando com projetos novos e até me arrisco em alguns, quero ganhar mais e ter mais responsabilidades, dentro dos meus limites como mãe. Mas também sei que só posso fazer isso porque tenho um Maridão mega parceiro que divide a responsabilidade de tudo comigo, e também alguns amigos que me ajudam quando a coisa aperta.

Já contei aqui que nesta última viagem Enzito ficou doente. Voltamos domingo e segunda Maridão foi viajar e eu fiquei aqui com filhote doente, feriado na cidade na terça, com a escola dele fechada, mas a empresa onde trabalho aberta e com reunião com a nova diretoria comercial. Segunda passei na empresa rapidinho, consegui um encaixe de manhã na pediatra, e voltei a trabalhar. Só me senti bem em deixá-lo na escola porque não tinha mais febre e não estava mais tão molinho. Na terça a super Amiga-Madrinha ficou com ele o dia todo pra mim enquanto pude ir tranquila para a reunião. Hoje filhote já está quase 100%, da faringite só sobrou uma tossinha expectorando e consegui sobreviver a essa semana sem Maridão e com compromissos importantes no trabalho graças a ajuda da Madrinha no feriado e a escola nos outros dias. Mas claro, tive que sair mais cedo em dois dias da reunião (na verdade saí no horário, a reunião é que se extendeu além dele), pois a escola tem hora para fechar. E assim vamos levando, tentando conciliar a vida profissional e a vida familiar, nenhuma perfeita, mas ambas com muito amor e dedicação na medida do possível.

PS> O texto está longo, estou com sono, tenho que lavar a cabeleira e estudar para prova do MBA de sexta…então não revisarei, me perdoem se houver muiiiiiitos erros aí em cima.

;-P

 

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Licença Paternidade

Conforme a Constituição de 88 o pai tem direito a se afastar do trabalho, sem ônus salarial, por 5 dias corridos após o nascimento ou adoção de um filho. Enquanto que a mãe tem o direito a licença de 4 meses. Fato que ocasiona certa discriminação da mulher no mercado de trabalho e dificulta a criação de vínculo da criança com o pai. Injusto para os dois. Desde 2008 existe um projeto de lei que visa aumentar para 15 dias essa licença, mas que na prática ainda não está em vigor. Faltando um sinal verde da Câmara para que os papais possam usufruir deste benefício.

Eu sou mega a favor, pois acho que pai é tão importante para um filho quanto a mãe. Além disso, a mãe também precisa de certo apoio neste momento novo e nem sempre tem a ajuda de outro familiar que não o pai da criança. Esse projeto também visa a estabilidade de 30 dias para os papais após o término da Licença Paternidade, quase igual as mamães que possuem estabilidade até que o filho complete 6 meses. Acho também um absurdo que esse projeto ainda esteja pendente, que mais precisa ser discutido, avaliado?

Uma pesquisa realizada na Universidade de Concórdia no Canadá concluiu que a influência paterna ajuda muito a determinar as habilidades emocionais dos filhos. Foram ouvidas 140 crianças entre 3 e 13 anos. Claro que não podemos generalizar, mas que ter o pai e a mãe presentes na criação de um filho faz toda a diferença, isso faz. E não estou levantando a bandeira do “não ao divórcio” aqui, existem muitos casais separados, mas que conseguem cumprir seus papéis eficientemente. O que quero dizer é que assim como a presença do pai é importante na infância, adolescência e vida adulta, ela é muito importante nos primeiros dias também.

Que venha a nova licença paternidade!!!!!!!

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Saudades

Fiquei ausente esse tempo devido a uma viagem a trabalho. A viagem foi boa, aprendi muita coisa, conheci uma cidade que jamais seria minha opção de viagem de férias, mas que me surpreendeu. Quito é uma cidade grande, com trânsito pesado, mas com suas belezas. O centro histórico é de tirar o fôlego, assim como as várias montanhas que rodeiam a cidade e a vista incrível lá de cima. Outro ponto interessante, o chocolate quente não vem com aquele chantilly que estamos acostumadas e sim com queijo derretido.

É curioso ver como meus colegas de trabalho se empolgam com viagens pela empresa e eu não. Na verdade eu não fui sempre assim, apática as viagens de negócios, mas também nunca fui a mais empolgada da turma. É que para mim, curtição é viajar com a família e depois do Enzo então, viajar a negócios significa ficar longe do meu Jacaré. E isso é muito triste e doloroso. Claro que sinto saudades do Maridão também. Mas ficar longe de filho deveria ser proibido, deveria ser contra lei!

Até pouco tempo atrás era bem incomum ver uma mulher deixar seus filhos pequenos para viajar a negócios. E ainda hoje enfrento perguntas curiosas tipo: “Mas com quem ele fica?” e a cara de espanto quando digo que filhote fica com Maridão e super bem por sinal. O ponto é que me sinto mal, culpada pela distância e toda vez sinto vontade dizer ao meu chefe que não vou viajar. Mas isso significaria desistir de meu trabalho e de tudo que construí até hoje. Tento então conciliar a vida profissional à maternidade, mas não é tarefa fácil não.

Esse final de semana aproveitei ao máximo o tempo com filhote, que na minha primeira noite em casa teve até pesadelos e acordou chorando de soluçar. Mas as saudades ainda não foram embora, de manhã me bateu aquela vontade de dar “WO” no trabalho e ficar o dia todinho em casa com o pequeno. Mas como é última semana do mês, fechamento, não poderia me dar esse luxo! Mas não vejo a hora de voltar para casa e curtir mais um pouco meu filhotinho.

Falta muito para o final de semana? rs

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Mães que Trabalham

Hoje estou cansadona porque fiquei até tarde assistindo um filme que se chama “Diário de uma Babá”, com aquela bonitinha de Hollywood Scarlett Johansson. E o filme me fez repensar minha vida de mãe, o que me fez demorar a dormir ainda mais. Quem já viu o filme vai me entender. Estou longe de ser uma mãe do “East Side”, mas meu filhote também fica aos cuidados de terceiros o dia todo, já que trabalho fora.

Me dói o coração quando penso que ele sai de casa às 7h30 e só chega por volta das 19hs, quando brincamos por mais ou menos uma hora e ele vai pra cama. Só nos restando os finais de semana. Claro que Maridão e eu não somos o tipo de pais retratados no filme, mas o fato de passarmos pouco tempo com o pequeno me incomoda. Apesar de eu amar trabalhar fora e ter essa vida “individual”, se é que posso considerar assim.

Filhote adora a escolinha, fica felizão quando vê a tia que o recepciona toda manhã, fala do amiguinho “Cuca” (leia-se Luca), Dedé, Juju, entre outros. Mas será que não é tempo demais para ficar dentro de uma escola, longe de casa, dos pais? Que o desenvolvimento de crianças que freqüentam berçários e escolinhas desde sempre é muito melhor do que aqueles que ficam em casa, é fato. Mas e o emocional como fica?

Segundo pesquisa do Journal of Family Psychology, mães que trabalham fora são mais felizes e apresentam melhor saúde física e emocional, com menos sintomas de depressão que as mães “full time”. O ato de trabalhar fora ajuda na socialização, enxergar o tempo com os filhos por outra perspectiva, fazendo-nos aproveitar mais o pouco que temos. A Dra. Pediatra me disse logo na primeira consulta que trabalhar fora ajuda na educação dos filhos, a ensinar o valor das coisas, mas que o tempo com eles deveria ter qualidade, já que não teríamos a quantidade. Que essa qualidade faria com que o emocional não fosse afetado pela falta dos pais durante o dia.

Tudo isso me faz forte na minha escolha de trabalhar fora, mas confesso, há momentos que o coração dói. Hoje Enzo ficou fazendo manha no berço, sabe aquela preguiça logo ao acordar, que nos faz querer ficar na cama rolando, mesmo acordados?! Ele estava assim. Me deu vontade ficar com ele em casa…rolando na cama, brincando, enfim, curtindo meu filhotinho. Mas levei o pequeno para a escola e fui trabalhar. Que bom que vem o Carnaval, pra ficarmos juntinhos por quatro dias seguidos!

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Opt-Out Revolution – Papai entra?!

Outro dia passeando pelas matérias do New York Times (faço isso algumas vezes para manter o vocabulário adquirido em inglês), achei uma matéria mega interessante. As mulheres conquistaram muito ao longo dos anos, como trabalhar fora e obter o sucesso em um mundo masculino, procurar por maridos que andem junto, cresçam junto e não sejam apenas provedores. Mas isso não é novidade certo?! A novidade é o fenômeno do “Opt-Out”, e é disso que a matéria fala. Espia lá.

Esse movimento é formado por mulheres bem sucedidas profissionalmente que resolveram largar tudo para voltar às origens, isto é, ficar em casa para cuidar dos filhos. Acredito que seja um tema ainda controverso no universo feminino, depois de tantas conquistas voltar a ficar em casa, sem uma renda individual, dependendo da renda do marido e o que é pior, fazendo um trabalho que muitas vezes não é nem um pouco reconhecido e admirado.

Momento confissão…(rs), eu particularmente admiro muito as mulheres que tem essa coragem, que conseguem ser full-time mom. Eu não aguentaria. E isso está bem resolvido pra mim. Sei que não significa que não ame meu filho, não significa que sou fria e sem coração. Eu só não consigo ficar longe da correria que é trabalhar em uma empresa com metas para serem atingidas, do contato com meus colegas de trabalho, fornecedores e clientes. É claro que adoro os momentos que fico em casa com maridão e filhote, adoraria ganhar na mega sena e trabalhar apenas por hobby. Mas ficar o tempo todo por conta da casa e filhos, isso me definharia, faria com que os momentos que passo com eles não fossem mágicos, como é hoje.

Agora, a dúvida que não quer calar. Será que esse movimento é só de mulheres? Será que só elas desejam largar tudo para ficar em casa por conta dos filhos? Tenho certeza que não, muitos homens optam por investir nas carreiras de suas esposas e ficam em casa. Mas ainda há muito preconceito sobre isso, afinal sempre foi um trabalho destinado às mulheres. Áquelas que trabalham fora, passam a semana fora em uma viagem de negócios ou chegam tarde da noite são vistas como más. E por outro lado, os homens que optam por ficam em casa sofrem cobranças sociais muito grandes e são vistos como folgados e acomodados.

Na minha opinião, assim como as mulheres podem optar por trabalhar fora ou ficar em casa, os homens devem ter o mesmo direito, desde que para ambos haja um consenso familiar. O que a sociedade vai pensar, o que os outros vão dizer….ah, ninguém tem nada haver com isso. É uma decisão da família envolvida apenas. E o que importa é ser feliz com suas escolhas.

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